terça-feira, 11 de novembro de 2008

Conto classificado em 2° lugar no Concurso “Dia dos Namorados” da Biblioteca Municipal João XXIII de Mogi Guaçu – 2006.



O CORAÇÃO E A RAZÃO NA IDADE DO AMOR

(Jayme Junior) - Copyright



Noemi apertou a campainha do ônibus. Tinha visto pelas janelas a agitação lá fora e sabia muito bem do que se tratava. Desceu num ponto bem antes do habitual. No meio da multidão de jovens estudantes com os rostos pintados de verde-amarelo viu alguns de sua sala. Olhando mais um pouco, reconheceu sua amiga Mila.
Perdendo totalmente a inibição ao lado da colega, deixou-se pintar o rosto, e junto com os demais adotou a palavra de ordem daquele momento gritando com todas as forças de seus pulmões: “Fora Collor!”.
A multidão desceu a rua e entrou na grande avenida tornando dificultoso o trânsito de veículos e chamando a atenção dos demais. Ao chegarem na praça determinada, juntaram-se a uma multidão maior, misturando-se, aumentando assim a quantidade de pessoas ali concentradas.
Um caminhão com a carroçaria aberta transformou-se em palanque. Logo colocaram em funcionamento a aparelhagem de som e tocava-se continuamente no maior volume possível a música de Caetano Veloso, “Alegria, Alegria”.
Alguns políticos locais discursaram. Bandeiras do Brasil e de partidos políticos tremulavam nas mãos de seus filiados como também nas mãos dos estudantes caras-pintadas.
No meio de tanta música, discursos aos berros, “Alegria, Alegria” de novo, gritos de “fora Collor”, um jovem aproximou-se de Noemi e Mila com uma bandeira nacional grande, a maior que se podia ver ali. Apresentaram-se, conversaram, até que ele pediu que as duas garotas o ajudasse a agitar a bandeira, imensa para apenas uma pessoa faze-la vibrar.
Um homem aproximou-se dos três jovens, depois souberam que era um vereador da cidade, e convidou-os a subirem no palanque para de lá agitarem a grande bandeira, com a finalidade de que fosse vista por mais gente possível.
Agora no palanque improvisado os três jovens juntamente com políticos, presidentes de associações de estudantes, alguns professores, dirigiam a manifestação, cantando nos microfones, gritando palavras de protesto, e agitando bandeiras.
Quase noitinha, fim dos protestos. Foram os três para um dos botecos dali matar a sede. Muita gente! Conseguiram uma mesa e sentaram-se. Continuaram a conversar, conhecendo-se mais.
Mila percebendo que Evandro simpatizava-se de uma maneira especial com a amiga, procurou em alguns momentos deixa-los a sós sentando um pouquinho em cada mesa, onde havia conhecidos. Alguns amigos de Evandro paravam em sua mesa também, conversavam rapidamente e saiam.
Noemi e Evandro trocaram seus telefones. As meninas despediram-se alegando que o horário já havia se estendido demasiadamente. Passado alguns minutos, Evandro as alcançou. Elas esperavam o ônibus para casa.
O ônibus parou após o sinal dado por elas, os três subiram; também outras pessoas que ali aguardavam-no. Noemi e Evandro sentaram-se num mesmo banco e Mila à frente deles.
Noemi inclinando-se ao banco da frente reclamou com Mila dizendo que ficaram muito tempo no bar e que com certeza sua mãe iria dar-lhe uma bronca, mesmo tendo telefonado do bar para casa. Mila virou-se, sorriu para a amiga e disse que devia ela se lembrar que já era uma garota responsável, pois já tinha dezessete.
Mila desceu no ponto de costume, não sem antes brincar com Evandro dizendo-lhe que tinha ele a missão de entregar sua amiga sã e salva em casa. Ele concordou sorrindo.
Já havia caído a noite, Noemi disse ao rapaz que a sua parada aproximava-se. O ônibus agora com bem menos gente encorajou Evandro que rápido beijou forte Noemi nos lábios. Beijaram-se novamente... enamorados... e mais uma vez, mesmo ao balanço do coletivo que corria bem.
Noemi levantou-se, apertou a campainha. Evandro levantou-se também, beijou-a novamente trazendo-a junto de si com um braço. Beijou-lhe as faces rosadas, as sobrancelhas... até que o ônibus parou e as portas se abriram. A moça desceu e o rapaz seguiu viagem.
Tinha ele que parar próximo à estação do Metrô e tomar o trem para casa, pois aquele ônibus não passava por seu bairro.
No trajeto de volta o rapaz pensara muito na garota, em tudo que

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